segunda-feira, 21 de abril de 2008

Filosofia "explode-cabeça"

Aos cristãos: Não pretendo, com este texto, rir de Deus, e sim falar sobre o que penso sobre o começo de tudo. Leitura. (Não digo "Boa leitura", por que eu não garanto nada :P)

No começo, havia o Nada.


Ou melhor, não havia o Nada, pois não havia espaço para tê-lo.

Não havia, aliás, o tempo. Portanto, esse momento onde o Nada não existiu na verdade não aconteceu, simplesmente porque não havia tempo para conter o momento.

Então não temos.

De repente, no primeiro momento de Tudo, surgiram as quatro dimensões — as três espaciais e o tempo. E disso veio Deus, ou de Deus veio isso. E de Deus veio Tudo.

Mas de onde veio Deus? O que fez com que Ele surgisse?

Deus é infinito. Logo, a mais ínfima parte dEle também é infinita. Não poderia Ele dar sentido a si próprio, criando a Si mesmo e mandando-Se para o passado? Ou então Deus sempre existiu? Se sim, o Tempo também deve ter sempre existido. Terá alguma dimensão para Deus existir? Caso não haja, onde Ele está? Se não há lugar para Ele, Deus não existe?
Deus veio do Verbo? Se sim, de onde veio o Verbo? Ele existe em alguma dimensão, mesmo que seja o Plano das Idéias?, etc.

Temos aqui um verdadeiro ponto de interrogação. Pode ser que nunca saibamos o que aconteceu, da mesma forma como não compreendemos completamente o que aconteceu antes de nascermos. Pode ser que nossa cabeça esteja destinada a explodir depois de pensamentos como esses. Pode ser que eu esteja falando abobrinha. Pode ser que você discorde disto tudo e queira bater em mim. Pode ser que Deus esteja se divertindo com a nossa incrível capacidade de entender o complicado e ignorar o básico.

Ou não.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A Pior Viagem no Tempo

"Tudo bem", disse ela quando eu fui buscar as chaves do carro, e deixei-a esperando lá na porta de casa. Entrei lá; a única fonte de iluminação do hall de entrada era a janela de vidro, por ela escorria luz como uma cascata. Acendi o interruptor; estranho, esta sala está diferente. Completamente vazia. "Venha logo!", a voz dela gritou lá da rua. Tentei apressar-me, mas não havia nada no hall! Seriam ladrões? Eu saí de casa e a vi esperando por mim lá fora. Ela não estava com uma roupa azul? Ela usava roupa rosa agora; como ela trocou tão rápido? Andei em direção a ela, que me recebeu com uma cara de surpresa. "Você demorou", disse ela. "Eu vim aqui para comprar a sua casa. Quero vê-la."
Comprar minha casa! Há alguns anos atrás, ela disse que bateu em minha casa — que na época estava apenas com uma cama e um banheiro e pronta para ser vendida — e eu estava na praia no dia. Ela bateu palmas, tocou a campainha, mas ninguém atendeu; acabou desistindo e comprando outra casa, pois precisava urgentemente de uma. Um dia, em sua nova casa, ela pediu uma pizza e eu fui o entregador; viramos amigos desde então. A casa nunca foi vendida.
Tudo foi tão rápido que acabei aceitando mostrar a casa para ela, que ficou absolutamente satisfeita com a habitação. Virou-se para mim e disse: "Amanhã eu passo aqui e vou te pagar à vista. Pode ir desocupando a casa." Eu fiz isso e recebi o dinheiro no dia seguinte. Ela veio com um caminhão de mudança e descarregou os móveis com a minha ajuda. Ao anoitecer, a casa estava cheia e alegre.
Peguei o dinheiro e guardei em uma sacola, que levei comigo e guardei com a vida. Dormi em um hotel naquela noite. Antes de dormir, contei o dinheiro: Setenta mil reais, exatamente o que eu pedira pela casa. Acordei cedo no dia seguinte e saí para ver alguns filmes. Em cartaz: De Volta Para o Futuro. Legal, pensei, resolveram relançar no cinema os filmes mais antigos. No bilhete de entrada: Emitido às (não me lembro que horas) de (não me lembro que dia) de 198x (não sei o que pôr no lugar do x).
Eu estava na década de 1980. (Uma informação inútil: nasci em 1955). Fui o primeiro homem da história a voltar no tempo, creio eu. Com exatamente quarenta anos de idade, encontrara uma fenda no tempo. Até hoje não sei como realizei a façanha.
No dia seguinte, o meu eu do passado, o que estava na praia, voltou para a casa. Havia me esquecido disso, e imaginei o que eu faria se encontrasse a minha casa nas mãos de outro. Corri para o lugar onde voltara no tempo. Estava a um quarteirão de lá, quando me lembrei da agressividade que eu possuía, que fora curada por remédios um pouco antes que eu virasse um entregador de pizza. Na época, se eu encontrasse minha casa nas mãos de uma mulher desconhecida, com certeza a mataria.
Quando eu cheguei ao meu destino, ouvi gritos de mulher lá dentro da casa. Corri para um telefone público e liguei para a polícia. "Rápido! Na rua", disse o endereço, "está acontecendo um assassinato! Se eu sei o nome? É A. M. I." Disse o meu próprio nome, pois eu mesmo era o assassino. Aqui ele está abreviado para proteger minha identidade.
Eu entrei na casa e deparei-me comigo mesmo mais jovem correndo, minhas (ou suas?) mãos cheias de sangue. Pulou o portão e nunca mais o (me) vi. Acho que ele (eu) morreu (morri) naquele dia. Foi exatamente quando ele desapareceu que a polícia chegou.
Fui preso por homicídio. As impressões digitais são as mesmas que estavam na arma ao lado do corpo. Fui pego por estar no local errado e na hora errada. 37 anos de prisão. Hoje, com 75 anos de idade, fui liberado da prisão e me resta pouco tempo de vida. Dedico cada segundo vivido a odiar e a maldizer a viagem no tempo que arruinou a minha vida.
Ass.
A. M. I.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Vida de Cachorro

Um belo dia eu estava sem nada para fazer e fui incomodar minha cã (neologism detected) e pensei: Desde quando a vida de cachorro é ruim? Reflitam e vejam se eu estou errado:

CÃES: Não precisam trabalhar, apenas procurar comida e água.
HUMANOS: Além de trabalhar para comer, têm que comprar roupas, pagar água, luz, roupas, telefone, internet, roupas, móveis, roupas...

CÃES: Podem urinar e defecar onde quiserem, sem culpa ou constrangimento (por parte deles)
HUMANOS: Têm lugares específicos para fazer as necessidades e fazê-las fora desses lugares é uma vergonha.

CÃES: Nem sabem que vão morrer.
HUMANOS: Além de saberem, temem a morte e precisam procurar centenas de explicações para o que há depois da morte, quem criou o mundo, etc...

CÃES: Para (...) com a fêmea, basta chegar nelas e (...)
HUMANOS: Para (...) com a fêmea, precisa conquistar, mandar flores, beijar, idolatrar, pagar as contas do shopping...

CÃES: Geralmente o pai não participa do crescimento do filho.
HUMANOS: Se o pai não acompanha o filho, deve pagar a pensão.

CAÕS: Naõ presizãu izcreve corrretam~eti
UMÃNUS: Teim ci izcreve tudu muintu sertinu prá noã çe umiliadu

CÃES: Nem sabem o que é reputação.
HUMANOS: Ainda têm que se preocupar com isso.

CÃES: Não sabem ler.
HUMANOS: Se não sabem ler, são desvalorizados, e se sabem, ficam lendo bobagem na internet. Como esta.

Ai, que inveja da minha cã...

domingo, 23 de março de 2008

O Mundo de Sofia


Este livro é um exemplo de como explicar um assunto complexo em um livro grosso sem cansar o leitor. Combina uma história de mistério com as teorias filosóficas em ordem cronológica, e as expõe de uma maneira muito prática e de fácil compreensão: com exemplos simples e traçando um paralelo com a própria trama.
Jostein Gaarder escreve em uma maneira simples e direta, e até uma criança de sete anos consegue entender — superficialmente — o que o autor quer dizer, embora somente alguém mais maduro possa compreender o livro profunda e completamente. Isso faz com que o livro possa agradar a todas as idades, caso alguma criança leia um livro desta grossura nos dias de hoje.
A trama começa misteriosa e creio que ninguém consiga solucionar o mistério sozinho, no meio você quer ler mais, e o fim acontece num clima totalmente nonsense. A resolução do mistério é extremamente criativa e não se pode dizer que o final dos personagens seja feliz — afinal, há uma grande perda —, mas não foi um final essencialmente trágico — pois também há um ganho.
Um livro ótimo, que pode ser útil para estudar filosofia de um jeito que o leitor médio entenda e, ao mesmo tempo, uma ótima história de mistério. É um dos melhores livros da atualidade.

sábado, 22 de março de 2008

Sejam mais ou menos bem-vindos a este moquifo

Oi, pessoas, eu sou Gabriel Rios Borges, criador do livro Quinze Dias no Inferno, escreverei os textos neste blog com uma hortografia inpecáveu, e pretendo expor a minha privada, digo, a minha vida privada, aqui. Tapem os seus narizes.